O 12° Congresso do PCdoB, realizado no início do mês em São Paulo, foi o estuário de uma construção coletiva sobre os caminhos da revolução brasileira, a rota a percorrer daqui até o início da construção socialista.
O 12° Congresso do PCdoB, realizado no início do mês em São Paulo, foi o estuário de uma construção coletiva sobre os caminhos da revolução brasileira, a rota a percorrer daqui até o início da construção socialista.
Os jovens vão 'estar tomando' o poder
13/11/2009 15:26:34
Gilberto Nascimento
Conhecidos pelo uso do gerúndio e pelo bordão “vamos estar solucionando”, os operadores de telemarketing são considerados os metalúrgicos dos dias atuais. A função surgiu como fruto das novas relações de trabalho e do avanço tecnológico, mas carrega problemas parecidos aos das antigas linhas de produção industriais.
Os operadores de telemarketing somam 1,075 milhão de profissionais hoje no País. A maioria é jovem no primeiro emprego, com idades entre 18 e 29 anos. É a categoria que mais cresceu no Brasil: 10% ao ano em uma década. Setenta por cento são mulheres.
Esses jovens significam hoje para o PCdoB quase a mesma coisa que os operários do ABC representaram para o PT. Sindicatos da categoria, como os de São Paulo e Belo Horizonte, são ligados à União da Juventude Socialista (UJS), o braço jovem do PCdoB. Durante o 12º. Congresso do partido, realizado entre os dias 5 e 8 no Anhembi, em São Paulo, a atividade e a mobilização dessa categoria foi ressaltada pelos dirigentes comunistas.
Os jovens líderes sindicais da área de telemarketing, alguns com pouco mais de 20 anos, se organizam de forma diferenciada. Para atingir o público, realizam assembléias durante festas fechadas em casas noturnas, com DJs e outros atrativos. Num determinado momento, a música para, começam os discursos e as informações importantes são transmitidas. A tecnologia é utilizada na comunicação com a base.
“Nossa forma de organização se dá com o uso da linguagem do jovem. Se fizéssemos só a assembléia não reuniríamos mais de 100 pessoas”, admite Marco Aurélio de Oliveira, 33 anos, há um presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing de São Paulo (Sintratel) e há oito integrante dos quadros do PCdoB.
A construção de um modelo de comunismo com feição brasileira, a eleição do novo comitê central do partido e a necessidade de arregimentar militantes na juventude foram alguns dos principais temas do congresso do PCdoB. O encontro reuniu 1.100 delegados, 100 delegações estrangeiras de partidos comunistas de todo o mundo e políticos como o presidente Lula, a presidenciável Dilma Roussef, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) e o ministro da Justiça, Tarso Genro.
Aos 87 anos, o PCdoB reafirmou sua posição de parceiro do governo Lula e apoiador de primeira hora da candidatura de Dilma. Agora, se prepara para tentar dobrar suas bancadas na Câmara Federal e no Senado e pretende disputar a eleição para governador, com chances, no estado do Maranhão, com o deputado e ex-juiz Flávio Dino.
O partido conta hoje com 240 mil filiados. Aumentou em 50% o número de seguidores de seu congresso anterior, em 2005, para cá. Tem um ministro no governo Lula (Orlando Silva, dos Esportes), um senador (Inácio Arruda, do Ceará), 12 deputados federais, 13 estaduais, 406 prefeitos e 607 vereadores pelo Brasil. Dirige ainda um importante órgão no governo, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a cargo do ex-deputado Haroldo Lima.
A preocupação em ganhar adeptos na juventude é estratégica. O PT, segundo pesquisas, é o partido preferido entre os jovens brasileiros. Mas o PCdoB se notabiliza pela formação de quadros aguerridos e disciplinados no movimentos estudantil. Somente a UJS reúne 100 mil filiados, organizados em núcleos em 800 municípios brasileiros.
Quatro quadros da linha de frente do PCdoB foram formados na Juventude Socialista: o ministro Silva (no do partido com maior visibilidade na mídia depois que o Brasil realizou os Jogos Panamericanos no Rio e conseguiu o direito de promover a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016); o deputado Aldo Rebelo (fundador e primeiro dirigente da entidade, que chegou até a ser presidente da República por dois dias); a deputada gaúcha Manuela D’Ávila, eleita aos 26 anos com 271 mil votos – hoje considerada a musa do Congresso -; e Manoel Rangel, presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine).
A UJS comanda a União Nacional dos Estudantes (UNE) há quase 20 anos. Há 30, a principal entidade dos estudantes brasileiros só não esteve sob a influência direta do PCdoB em três gestões, entre 1987 e 1991. A Juventude Socialista é também hegemônica na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).
A maioria dos centros acadêmicos (CAs) e grêmios estudantis do País é ligada ao partido, garante sua direção. De um total de 3.000 CAs que participaram em janeiro do Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb), em Salvador, 2.100 foram mobilizados pela UJS. No último congresso da UNE, em julho, o PCdoB contabilizou 50% dos delegados. “Mesmo com todos os ataques feitos aos comunistas pelos setores conservadores, não há um partido com maior influência na juventude que o PCdoB”, garante o baiano Marcelo Gavião, 29 anos, estudante de Ciências Sociais da PUC-SP e presidente da UJS.
Outro alvo é o hip hop. O Face da Morte, um dos grupos de rap com maior volume de shows pelo Brasil, tem estreitas ligações com o PCdoB. O grupo tem clips na MTV, oito discos gravados e faixas incluídas em coletâneas de sucesso. O vocalista e líder do Face da Morte, Aliado G, 35 anos, é ex-dirigente da UJS e presidente da Nação Hip Hop Brasil, organização que reúne mil grupos de rap brasileiros e desenvolve oficinas culturais para ressocializar jovens infratores na região da Grande Porto Alegre. Em Suzano, na Grande São Paulo, trabalho semelhante é feito em escolas.
Aliado G foi o primeiro rapper candidato a deputado no mundo segundo reportagem do jornal New York Times. Ele concorreu à Assembléia Legislativa paulista em 2006, teve 20 mil votos, mas não foi eleito. Dois anos depois, foi o primeiro rapper a se candidatar a prefeito, em sua cidade, Hortolândia (SP), na região de Campinas. Ficou em terceiro lugar.
O partido se fortalece ainda em outras áreas. O seu braço no movimento sindical é a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), comandada pelo presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Wagner Gomes. A central reúne 400 sindicatos e representa 7 milhões de trabalhadores.
Fidelis Baniwa, 35 anos, da etnia Baniwa, na região do Alto Rio Negro, no Amazonas, é outra liderança emergente. Integrante da Coordenação das Nações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Fidelis é ainda ator profissional. Trabalhou na mini-série Mad Maria, da TV Globo, e nos programas eleitorais de Lula, em 2006. Agora, vive no cinema o papel do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, assassinado em 1997, no filme A Noite por Testemunha, de Bruno Torres, a ser lançado na próxima semana no Festival de Brasília. Fidelis deve ser candidato a prefeito pelo PCdoB na cidade de Santa Isabel do Rio Negro (AM). “O comunismo tem tudo a ver com o dia-a-dia em nossas aldeias. Quando alguém traz uma caça, todos são convidados a sentar juntos à mesa”, afirma.
O PCdoB quer desmistificar a imagem de dinossauro imposta por segmentos conservadores. “As idéias neoliberais colocadas em prática a partir dos anos 80 redundaram na maior crise econômica mundial desde 1929. Na origem está a cartilha neoliberal: as privatizações e o estado mínimo. Diante desse fracasso, quem são os dinossauros?”, questiona a deputada Manuela D’Avila.
Os comunistas também rejeitam a fama de ranzinzas. “Não é preciso ser chato para ser comunista”, retruca o baiano Orlando Silva, ministro com nome de cantor de serestas e animador de rodas de samba nos finais de semana, ao lado de artistas e políticos convidados, em sua casa na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. “O que o comunista precisa é ter convicção e perspectiva política. É se doar à luta política e batalhar pelo futuro. Num país como o Brasil isso só pode ser feito com alegria”, afirma Silva, enquanto dá autógrafos e posa para fotos ao lado de militantes. “Quando alguém estranha minha opção e pergunta se sou mesmo comunista, eu respondo: sou comunista, graças a Deus”. Silva acredita em Deus. E diz que a maioria absoluta do partido também.
Os líderes do PCdoB afirmam ter sido um erro, no passado, a busca pela tentativa de reedição de experiências comunistas em outros países. “Não dá para dizer que o exemplo da China não é vitorioso. O regime conseguiu unir o povo chinês, garantir direitos ao povo e fazer o país sair da miséria para a modernização. Mas nós não vamos copiar modelo de ninguém. No passado, mirávamos em experiências que tinham dado certo. Agora, vamos construir uma democracia do nosso jeito. A ditadura do proletariado era uma coisa que dizia respeito á União Soviética, naquela época”, argumenta o deputado Aldo Rebelo.
Reconduzido à presidência do partido durante o congresso, Renato Rabelo, 67 anos, contador e técnico agrícola, explica: “O partido é produto de um tempo determinado e localizado. Não é modelo que vale para qualquer situação. É expressão da luta transformadora de um tempo histórico. Por isso, ele muda”. Para o dirigente, o socialismo é muito jovem para ser considerado um fracasso. “Ele está dando os primeiros passos. É a proposta de um novo sistema. E a crise do capitalismo é real. A história vai dizer quem está com a razão”, garante. “O socialismo brasileiro ainda pretendemos construir. Seria especulação dizer se vai ser assim ou assado”.
Fonte: Portal Vermelho e CartaCapital
Renato Rabelo: PCdoB está mais forte e armado para luta política
De maneira geral, o 12º Congresso revelou que o partido tem influência, cresceu em sua autoridade política e hoje é muito respeitado entre as forças políticas brasileiras. O ato político representa isso. Nele, estava presente além do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva – que é hoje uma grande liderança dentro e fora do país – a ministra Dilma Rousseff, que possivelmente será a candidata do campo liderado pelo presidente, ministros e figuras representativas que compõem a base do governo. O pronunciamento indica que de fato o PCdoB tem contribuído muito para a construção do governo Lula e de um novo rumo para o país. O PCdoB, portanto, não é um partido qualquer.
Uma candidatura se constrói ao longo do tempo. Agora, por ser indicada por Lula, é natural que tenha a simpatia do PCdoB exatamente pela relação de confiança e amizade que o partido tem com o presidente. É uma questão que vamos avaliar para definir qual será a posição definitiva do partido com relação à candidatura de Dilma. E quem vai fazer isso é a Convenção Nacional do PCdoB, órgão estatutariamente incumbido de aprovar e formalizar nossa posição. O que temos hoje é abertura para uma candidata indicada pelo presidente da República. Mas, para além desta questão, é preciso salientar que a Dilma é uma mulher de ideias avançadas, tem uma trajetória política muito respeitada, combateu a ditadura militar, foi presa, fez parte de organizações que lutaram na resistência e hoje é uma pessoa preparada para continuar o programa iniciado por Lula e mesmo chegar a um nível mais avançado. Ela tem compromissos com ideias democráticas que levam em conta o avanço nacional e social do país. Portanto, é uma candidata que tende a ter apoio das forças avançadas.
Este congresso mostra que o partido está mais armado politicamente e tem mais nitidez de rumo. Agora, temos um desfio político enorme pela frente: a batalha eleitoral de 2010. O próprio Programa Socialista coloca que as eleições são muito importantes para se que dê curso ao novo projeto nacional de desenvolvimento (NPDN). Se o ciclo aberto pela eleição de Lula for truncado, significa que o NPND também será barrado uma vez que as circunstâncias políticas serão outras. Ou seja, apesar de mantermos nosso rumo, o caminho poderia mudar muito. Uma derrota do campo do governo Lula teria impacto negativo até mesmo para a América Latina, que hoje trabalha pela integração e contra o imperialismo. Afinal, para as forças de oposição, estamos nos submetendo aos países mais pobres e o que eles querem é que nos submetamos aos EUA e à Europa. Na verdade, temos é de ajudar os países mais pobres porque esta é uma forma de desenvolver o continente e isso vai ajudar direta e indiretamente o Brasil, que é o mais desenvolvido. A visão de submissão, portanto, é a deles e não a nossa. O movimento social é outro divisor de águas entre estes dois campos. Por que FHC diz que vivemos um “autoritarismo popular”? Porque no fundo eles têm medo do movimento social e popular; a elite dominante se pela de medo do povo, das ruas. A volta dessa gente seria um grande retrocesso político e democrático.
O congresso é o coroamento de todo um processo que se desenvolveu no partido e que reflete o debate feito com seus membros. Houve muita receptividade com relação aos documentos propostos e o debate se concentrou principalmente em torno do Programa Socialista, o que já era esperado. Além do coletivo partidário, a própria comissão responsável pela redação final do Programa continuou fazendo um trabalho de aperfeiçoamento da proposta original, de inserção de emendas e de mudanças até mesmo na sua estrutura para que o Programa ficasse mais curto, conciso e de mais fácil entendimento do que o anterior. O Programa Socialista aprovado procura responder às questões candentes hoje e participar de um debate atual em torno do projeto de desenvolvimento para o país. Antes, o documento ficava desvinculado do debate em andamento ou das exigências que se punham para o curso político. Este, ao contrário, entra no curso político e no debate de um novo projeto nacional de desenvolvimento, além de fixar um rumo (o socialismo). Temos dito que o rumo dá ao Programa maior nitidez e o situa no contexto da evolução histórica do Brasil. Já alcançamos determinado patamar a partir dos dois ciclos civilizatórios. Precisamos agora dar o terceiro salto. Com a aprovação deste documento, o partido passa a ficar mais forte e armado para a luta política.
Sim. Este é o segundo documento mais debatido. Os dois documentos, juntamente com nosso Estatuto – que também sofreu mudanças – completam, no terreno organizativo ou dentro da concepção de partido para a realidade atual, a visão de construção partidária. O Programa Socialista e a Política de Quadros – que servirá para dar bases à aplicação deste programa – traduzem o espírito do PCdoB nas condições presentes: um partido preparado para os desafios atuais, moderno e que, ao mesmo tempo, mantém seus princípios e sua visão revolucionária. O PCdoB se tornou contemporâneo, aproximando-se mais do nosso povo, das camadas mais avançadas, dos trabalhadores etc. O desafio do PCdoB é se atualizar permanentemente. E o partido é um corpo vivo, aliás, muito vivo. Sem essa vivacidade, o partido deixaria de cumprir seu papel, ficando de fora do curso político.
O esforço que o partido vem fazendo – e pessoalmente venho tentando me concentrar nesta questão – é que a Comissão Política seja efetivamente o centro de gravidade da elaboração e da condução política do partido porque o Comitê Central, em última instância, é que aprova as posições mais importantes. Mas estas posições requerem amadurecimento e elaboração no âmbito da Comissão Política. O CC se reúne, conforme o estatuto, de quatro em quatro meses, então não tem condições de fazer esse trabalho permanente de elaboração e condução política que cabe à CPN, composta por ¼ do CC. O secretariado, por sua vez, acabava fazendo o trabalho da CPN, reduzindo a participação de pessoas que poderiam contribuir no âmbito do CC. A elaboração política ficava centralizada e, ao mesmo tempo, o secretariado não exercia, de forma nítida, o papel precípuo dele que é a coordenação da execução política. Não é o secretariado que elabora, nem que conduz politicamente o partido. Seu papel é fazer o controle e a execução das tarefas políticas. Por isso é um organismo permanente que se reúne semanalmente e não pode ser muito grande. Chegamos a ter dez pessoas no secretariado anterior. A CPN já foi eleita pelo CC e reflete o critério de ser expressão política do partido. Quanto ao secretariado, a questão ainda não foi resolvida. A proposta é que fiquem no secretariado apenas as sete secretarias que, na atividade permanente do partido, tenham uma exigência mais constante.
O PCdoB leva em conta hoje alguns critérios que são importantes para que possamos ter uma construção partidária viva e permanente. Apesar de não existirem ainda normas que estabeleçam o limite dos mandatos no partido, temos de levar em conta critérios que implicam em renovação e alternância. E se isso vale para as direções, deve valer também para a presidência. A segunda questão é que este já é o meu terceiro mandato e no final dele, terei completado 12 anos à frente do partido. Em minha opinião, três mandatos formam um período de função presidencial consentâneo com nossa concepção de construção partidária. Por mais que eu possa ajudar o partido, ir além poderia impedir maior renovação da direção. Afinal, o PCdoB vai passando por uma fase de transições e mudanças. Por que só o presidente deve se achar no direito de ficar mais tempo? Esse movimento é saudável. Além disso, penso que outras pessoas podem se incumbir melhor da presidência porque são mais jovens e mais voltadas para o seu tempo do que eu, que sou de outra geração. A alternância e a renovação não são por acaso, mas para que o partido fique sempre à altura do seu tempo, para que seja sempre um partido vivo e atuante. Mas, como disse ao Comitê Central, discutir a sucessão demanda tempo porque o compromisso do presidente deve ser com a unidade e a coesão do partido. Então, a transição não pode ser abrupta. E solicitei ao CC – que escolhe a presidência – a prerrogativa de, quando achasse necessário, introduzir essa questão para buscar uma alternativa sucessória condizente com as exigências do partido naquele momento.
Busco um partido revolucionário e moderno, ou seja, um partido que não abandone seus princípios revolucionários – se não desnaturaria seu caráter – mas que, ao mesmo tempo, seja sempre um partido jovem. Este é meu esforço. O PCdoB tem hoje um método de trabalho aberto, tem liberdade de opinião. Demos um salto neste sentido. Não existe militante comunista que possa dizer que teve sua ideia cerceada, inclusive com relação a questões que podem ser consideradas contraditórias ou polêmicas. Evidentemente que a liberdade de opinião no partido também deve ser condizente com seus princípios porque a partir do momento em que uma posição é tomada pelo partido, todos devem segui-la uma vez que o partido tem como princípio o centralismo democrático. Agora, o aspecto democrático deve ser amplo, aberto e cada vez mais ativo. Não pode ser uma mera propaganda. A democracia precisa se exercitar porque o nosso objetivo não é a democracia pela democracia, mas sim a construção de um processo de decisões em que haja uma inteligência coletiva e não a inteligência de dois ou três dirigentes. Nenhuma ideia justa chega a nós sem que haja liberdade de opinião. Este é o desafio e me empenho muito para garantir sempre liberdade, democracia e participação.
Priscila Lobregatte
Foto: Rafael Neddermeyer
Ao fim do 12º Congresso, PCdoB reelege Renato Rabelo presidente e escolhe Luciana vice
No processo final do 12º Congresso do PCdoB, o Comitê Central (CC) do partido, recém-eleito em votação secreta e eletrônica, fez uma breve reunião para reeleger Renato Rabelo presidente do partido, eleger Luciana Santos vice-presidente, além dos 26 nomes da Comissão Política. Renato indicou que este será seu último mandato na presidência.
Renato Rabelo anunciou que aceitava mais um mandato, o terceiro como presidente do PCdoB. Mas pediu a permissão do CC para proceder, no momento oportuno, os preparativos para a escolha de um companheiro que assuma o cargo no próximo Congresso, em 2013.
Fez também a proposta de Luciana Santos para vice-presidente do partido. A secretária de Ciência e Tecnologia de Pernambuco e ex-prefeita de Olinda foi anunciada por Renato como "futura deputada federal e uma das mais votadas no estado". O nome foi recebido com aplausos pelos 105 membros do CC recém-eleito.
Renato apresentou ainda os 26 nomes propostos para a Comissão Política. Quanto ao Secretariado, ficou de ser composto mais tarde, em uma reunião da Comissão Política, dia 11, e outra do Comitê Central. A indicação é de um Secretariado de sete membros, visando reforçar cada vez mais o papel da Comissão na condução política do partido.
A Comissão Política foi eleita em votação secreta pelos membros do CC. Sua composição é:
Renato Rabelo
Adalberto Monteiro
Adalberto Frasson
Aldo Rebelo
Altamiro Borges
Ana Rocha
Daniel Almeida
Flávio Dino
Haroldo Lima
Inácio Arruda
Jô Moraes
João Batista Lemos
José Reinaldo
Júlio Vellozo
Liége Rocha
Luciana Santos
Nádia Campeão
Orlando Silva
Carlos Augusto Patinhas
Ricardo Abreu
Renildo Calheiros
Vanessa Grazziotin
Vital Nolasco
Wagner Gomes
Walter Sorrentino
Fonte: Portal Vermelho
Do Blog do Miro
Na reta final da preparação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), marcada para os dias 14, 15 e 16 de dezembro, os milhares de participantes das suas etapas municipais e estaduais avançam na construção de propostas concretas para democratizar este setor estratégico. Além do diagnóstico dos danos causados pela ditadura midiática, os envolvidos neste processo pedagógico de discussão formulam idéias de políticas públicas e de regulamentação dos meios de comunicação. Nos próximos dias, apresentarei sete modestas contribuições a este debate.
Elas partem de duas premissas básicas. A primeira é de que a comunicação deve ser encarada como um direito humano essencial na atualidade. Deixada à selvageria do “deus-mercado”, a mídia privada manipula informações e deforma comportamentos, causando inevitáveis males à sociedade. A segunda é de que a comunicação é um requisito da democracia. Não há como avançar na democracia no país sem democratizar os meios de comunicação. Neste sentido, as propostas procuram unificar o campo popular e democrático em torno de sete exigências:
1- Fortalecer a rede pública de comunicação;
2- Regulamentar as concessões públicas ao setor privado;
3- Adotar políticas públicas de incentivo à radiodifusão comunitária;
4- Instituir um programa nacional de inclusão digital – banda larga para todos;
5- Revisar os critérios da publicidade oficial;
6- Instituir mecanismos de participação democrática da sociedade;
7- Elaborar um novo marco regulatório para o setor.
Batalha de caráter estratégico
A luta por estas e outras demandas é decisiva na atualidade. A batalha pela democratização dos meios de comunicação não comporta ilusões e, muito menos, omissões. Diante do enorme poder da mídia hegemônica, a luta por mudanças profundas neste setor adquire um caráter estratégico. Não haverá avanços na democracia, na mobilização dos trabalhadores por seus direitos e na própria luta pela superação da barbárie capitalista, sem enfrentar e derrotar a ditadura midiática. Hoje, esta batalha comporta três desafios, que se inter-relacionam e se complementam.
O primeiro é o da denúncia da “imprensa burguesa”. Não há como democratizar os veículos sob o comando ditatorial dos Marinhos, Civitas, Frias e demais barões da mídia. Eles serão sempre aparelhos privados de hegemonia do capital. Qualquer ilusão neste campo seria desastrosa para as forças políticas e sociais de esquerda. O segundo desafio é o da construção e fortalecimento de veículos próprios das forças engajadas na luta pela superação de todas as formas de exploração e opressão. Sem construir instrumentos contra-hegemônicos de qualidade não será possível vencer a disputa de idéias, de projetos e de valores numa sociedade tão complexa como a brasileira.
Na contracorrente da lógica capitalista
Estes dois desafios não negam, porém, a urgência de um terceiro: o da luta pela democratização dos meios de comunicação. Na contracorrente da lógica capitalista, é possível erguer barreiras ao poder da mídia burguesa e construir políticas públicas que incentivem a diversidade e pluralidade informativas e culturais, conforme apontam recentes avanços na América Latina. Neste rumo, a 1ª Confecom, antiga demanda dos movimentos sociais, pode ser uma importante alavanca. Além de envolver amplos setores da sociedade neste debate, num processo pedagógico sem precedente na história, ela pode propor medidas concretas que coíbam a ditadura midiática.
Várias entidades progressistas estão inseridas nesta luta. O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), criado em 1991, nasceu das mobilizações por avanços na Constituição de 1988 e reúne várias entidades. O Coletivo Intervozes, fundado em 2003, conta militantes com reconhecida capacidade de elaboração. Já o Fórum de Mídia Livre, lançado em março de 2008, articula jornalistas, acadêmicos e veículos progressistas. A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e a Federação de Trabalhadores em Empresas de Rádio e Televisão (Fitert) não limitam sua atuação à defesa dos interesses corporativos. Destacam-se, ainda, a Associação Brasileira das Rádios Comunitárias (Abraço) e a Associação Brasileira de Canais Comunitários (Abccom).
Unificar o campo progressista
Os partidos de esquerda também estão se dando conta da importância desta frente de atuação. O PT, que sempre contou com renomados intelectuais da área, realizou em 2008 sua 1ª Conferência Nacional de Comunicação e apontou os caminhos para uma mídia mais democrática. Já o PCdoB aprovou, em novembro de 2007, resolução específica com propostas concretas para o setor. No caso do PSB, vale registrar a corajosa ação da deputada Luiza Erundina; já no PSOL, o deputado Ivan Valente se destaca por suas denúncias das manipulações midiáticas.
Há consenso entre estas forças políticas e sociais que não basta somente o diagnóstico sobre os efeitos nocivos da mídia hegemônica. Que ela não serve aos anseios dos trabalhadores, a história comprova de maneira cabal. Que ela é altamente concentrada e manipuladora, os fatos também evidenciam. Mais do que diagnosticar, é urgente avançar na formulação de propostas concretas que visem superar esta deformação na sociedade. Neste esforço, algumas proposições adquirem força catalisadora, capaz de unir amplos setores. Nos próximos artigos, apresento sete propostas concretas, não como pacote fechado, mas como uma modesta contribuição ao debate em curso.
1ª Conferência Municipal de Comunicação de Londrina
Comissão entrega propostas para a Câmara e para o prefeito
Barbosa aprova ideia de democratização da banda larga e de formação do Conselho Municipal de Comunicação
As propostas para a democratização da comunicação – aprovadas na 1ª Conferência Municipal de Comunicação de Londrina – foram entregues ontem à tarde à Câmara dos Vereadores, durante a sessão, e no final da tarde para o prefeito Homero Barbosa Neto, em reunião no gabinete. As propostas foram entregues por uma comissão formada por representantes de entidades da sociedade civil.
O prefeito demonstrou interesse pelas propostas que se referem ao município, como a de democratizar o acesso à internet, via Sercomtel. A comissão deve se reunir na próxima semana com o presidente da Sercomtel para a discussão do tema.
Barbosa também se dispôs a implementar o Conselho Municipal de Comunicação, aprovado na Conferência. E ainda demonstrou interesse nas propostas de mídia pública municipal e de ampliar o debate sobre a mídia nas escolas da rede municipal. A comissão disse que pretende fazer essa discussão com o Conselho Municipal e a Secretaria Municipal de Educação.
Estavam presentes a diretora do Sindicato dos Jornalistas Carina Paccola, o presidente do PCdoB, Márcio Sanches, Carlos Santana, do Centro de Direitos Humanos, Almir Escatambulo, da Associação de Deficientes Visuais de Londrina (Adevilon), e o chefe do Núcleo de Comunicação da Prefeitura, José Otávio Sencho Ereno.
Neste final de semana, dias 6, 7 e 8, será realizada em Curitiba a 1ª Conferência Estadual de Comunicação, que irá debater as propostas aprovadas nas etapas preparatórias realizadas no Estado. Amanhã (5) é o último dia para se inscrever para a Confecom Estadual, no site http://www.confecomparana.pr.gov.br/.
Além de Londrina, houve conferências municipais ou conferências livres em Foz do Iguaçu, Curitiba, Ponta Grossa, Campo Mourão, Pinhais, Cascavel, Toledo, Maringá e Guarapuava. A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) será de 14 a 17 de dezembro em Brasília, com a participação de delegados eleitos nas Conferências Estaduais.
PCdoB Londrina define a nova Comissão Política
O Comitê Municipal do PCdoB em Londrina definiu ontem (dia 18), a nova Comissão Política para o exercício 2009/11. O publicitário e micro-empresário Márcio Sanches foi eleito presidente pela primeira vez. Filiado do partido na década de 90, onde foi dirigente municipal e estadual, retornou em 2007.
A principal tarefa partidária será a condução do projeto eleitoral 2010. “Para o próximo ano, temos a missão de conduzir os nossos candidatos a deputado estadual a vitória alicerçado a candidatura do Ricardo Gomyde a federal”, informou Sanches, referindo-se as candidaturas do sociólogo e professor universitário Cezar Bueno e o agente penitenciário Wilson Moreira.
Outra atividade é o crescimento da base partidária. “Precisamos retomar nossa participação no movimento de juventude”, disse Sanches, que já foi presidente da União Londrinense dos Estudantes Secudaristas (ULES) e da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes).
Além da União da Juventude Socialista, o trabalho de fortalecimento partidário vai buscar a construção da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB); a Conam e os movimentos sociais, de esportes e culturais. “Queremos um partido grande, capilarizado na sociedade. Capaz de influenciar na construção de políticas públicas voltadas para garantir o direito ao povo”, afirmou.
A Comissão Política, além de Márcio Sanches (presidente), será formada por outros oito camaradas: o professor universitário Cezar Bueno (vice-presidente); o jornalista José Otávio (secretário de organização); o servidor da UEL Marcelo Seabra (secretário de finanças); o engenheiro Nilson Magagnin (secretário de formação); o produtor cultural Marcelo Pinhatari (secretário de propaganda); o economista Sinival Pitaguari (secretário sindical); o ativista Joel Tadeu (secretário de movimentos sociais) e a professora universitária Cida Lopes (secretária para assunto de mulheres).
Entrevista do ministro Orlando Silva (Esporte) ao Vermelho
Programa do PCdoB em rede nacional já pode ser visto na internet
PCdoB na TV hoje trata de riquezas nacionais e desenvolvimento
Vai ao ar hoje, em cadeia nacional de rádio e televisão, o programa político do PCdoB. Ao longo de dez minutos, o partido tratará dos grandes trunfos que o país tem – seu povo e suas riquezas naturais –; os avanços obtidos pelo governo Lula e a necessidade de se avançar ainda mais rumo a um projeto nacional de desenvolvimento que aproxime o país do caminho socialista. Participam do programa os recém-filiados Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal, e Muller, ex-jogador de futebol.
Também estão no programa o presidente do PCdoB, Renato Rabelo; o ministro do Esporte, Orlando Silva; o senador pelo Ceará, Inácio Arruda; a deputada pelo Amazonas, Vanessa Grazziotin e o presidente da União da Juventude Socialista, Marcelo Gavião. O programa será transmitido pelas rádios às 20h e pelos canais de televisão às 20h30.
Olimpíadas e riquezas nacionais
A abertura do programa enfatiza a vitória recentemente obtida pelo país ao se tornar o primeiro na América do Sul a sediar uma Olimpíada. O ministro do Esporte, Orlando Silva, fala da importância da escolha do Rio de Janeiro e de como isso pode beneficiar o Brasil. Em seguida, o programa trata do orgulho de ser brasileiro e dos valores de nosso povo.
Depois, discorre sobre as vitórias obtidas pelo governo Lula em prol do desenvolvimento nacional. Jovens de diferentes estados falam sobre tais avanços.
Depois, o programa aborda as riquezas naturais brasileiras – com ênfase na Amazônia e no pré-sal – e da necessidade de o país defendê-las e garantir seu uso sustentável em favor da nação contra os interesses estrangeiros.
Somando todos esses elementos – povo, riquezas naturais e avanços recentes – o PCdoB propõe um novo salto rumo a um novo projeto nacional de desenvolvimento que potencialize as qualidades nacionais e coloque o Brasil num novo patamar de mais progresso, soberania, distribuição de renda e justiça social.
Por fim, enfatiza que este novo projeto – um dos principais pontos defendidos pelo partido no processo do 12º Congresso – é o caminho para a construção de uma perspectiva socialista.
Nos dias 10, 13, 15, 17 de outubro vão ao ar, ao longo da programação, as inserções de 30 segundos.
08/10/2009
Fonte: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=141&id_noticia=117177
Londrina aumenta sua participação na Direção Estadual

O jornalista José Otávio e o profissional de marketing, Márcio Sanches, respectivamente titular e suplente, também foram eleitos delegados para a etapa nacional do 12º Congresso do PCdoB, além da representante da Conam, Neuzinha Santos também foi eleita delegada titular para o congresso nacional.
Governo Lula libera R$ 127 milhões moradia e Saúde em Londrina
Num ato inédito nos últimos anos, Londrina recebeu na segunda-feira a visita de cinco ministros do governo Lula que liberaram R$ 127 milhões para investimentos em saúde e moradia.
Para acompanhar este momento histórico, mais de mil pessoas acompanharam o ato de assinatura dos contratos para a construção de 2.332 mil moradias dentro do “Programa Minha Casa, Minha Vida”, em Londrina e Arapongas, do termo de liberação de recursos do Orçamento Geral da União para Santa Casa de Londrina e liberação de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para construção de 117 moradias em Londrina pelo Programa Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS).
Participaram do evento, organizado pelo Prefeito Barbosa Neto na prefeitura, a Ministra de Estado da Casa Civil, Dilma Rousseff, Ministro de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo Silva, Ministro de Estado das Cidades, Márcio Fortes, Ministro de Estado da Saúde, José Gomes Temporão, Presidenta da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, Vice-Governador do Paraná, Orlando Pessuti, Senador Osmar Dias, Deputados Federais e autoridades municipais.

Uma boa notícia para Londrina. A cidade vai receber 2.156 moradias do programa “Minha Casa Minha Vida, do governo federal. As unidades que serão instaladas na região norte, nas proximidades do conjunto São Jorge, são dos empreendimentos Vista Bela I, II, III, IV, VI e VII e o Jardim Nova Esperança. O total de investimentos é de R$ 92 milhões.
As assinaturas dos contratos serão na próxima segunda-feira (dia 5), em ato solene, na Prefeitura de Londrina, a partir das 9h, com as presenças dos ministros do Planejamento, Paulo Bernardo; da Casa Civil, Dilma Rousseff e das Cidades, Márcio Fortes e da presidenta da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho. O ato faz parte das comemorações dos 75 anos de Londrina.
“São habitações para as famílias que já precisam porque são para pessoas com renda de até 3 salários mínimos”, esclareceu o presidente da Companhia de Habitação de Londrina, João Verçosa.
01) José Otávio
02) Heloisa Botelho
03) Cézar Bueno
04) Márcio Sanches
05) Neide Ferreira
06) Neuzinha (Unimol)
07) Joel Tadeu
08) Marcelo Pinhatari
09) Gerson Navarro
Boa sorte e feliz representação a todos!
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